Macaco provoca transtornos
Bin Laden foi o nome que a população de Exu, em Pernambuco, deu ao macaco-prego que causou confusão na cidade e foi preso no Crato, acusado de terrorismo (Foto: Antônio Vicelmo)
Animal foi preso pela polícia do Crato, após botar fogo numa casa e destruir móveis, roupas e documentos, em Exu (PE)Crato. Um macaco-prego foi preso pela polícia e conduzido para a sede do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Crato, acusado de “terrorismo”. O macaco botou fogo numa casa, destruiu móveis, roupas, documentos e uma Bíblia de um pastor protestante.O “terrorismo” praticado pelo animal ocorreu no último fim de semana, na cidade de Exu, Pernambuco, onde o animal praticou todo tipo de desordens, deixando a população apavorada. Diante dos absurdos praticados, a população de Exu o apelidou de Bin Laden, nome do líder da organização religiosa “Al Qaeda”, acusado dos atentados às Torres Gêmeas do World Trade Center, em Nova Iorque, e à sede do Pentágono, em Washington.Uma das vitimas dos atos do macaco foi o pastor evangélico, Dário Gomes de Araújo, que, ao voltar para casa, encontrou tudo revirado. A principio, ele suspeitou de ladrões. Chamou a polícia, que afastou a hipótese de roubo, uma vez que não tinha nenhum sinal de arrombamento. No decorrer das investigações, a polícia identificou pegadas de um animal. Mais tarde, o macaco foi flagrado, com uma caixa de fósforos, ateando fogo noutra casa.A população de Exu, terra de Luiz Gonzaga, foi mobilizada para capturar os macacos que teriam vindo da serra do Araripe. Um deles foi preso e levado para a Delegacia de Polícia, onde passou o final de semana por trás das grades. Na segunda-feira, o macaco foi conduzido pelo delegado de Exu, Romildo Jonas, para a sede do Ibama do Crato.InquéritoO chefe do escritório, Eraldo Oliveira, informou que o animal vai passar por uma quarentena, 40 dias de adaptação, sob os cuidados de um veterinário e um biólogo. Dependendo do seu comportamento nesse período, o animal será solto na floresta ou entregue a uma entidade conservacionista da região.Ontem foi instaurado inquérito para saber a procedência do macaco. A polícia já tem o nome de um suspeito que estaria criando ilegalmente o animal em sua casa, no município de Exu. A criação ilegal de animais silvestres em cativeiro é crime e fere a Lei de Crimes Ambientais, que prevê no artigo 29 uma pena de detenção entre seis meses e um ano, além do pagamento de multa.Se o agente criminoso utilizar meios cruéis para domesticar o animal, ele também poderá ser enquadrado no artigo 32, que prevê uma segunda pena que vai de três meses a um ano de detenção com pagamento de multa. A legislação ainda pode ser aplicada de maneira mais rígida, no caso em que for comprovada a intenção de o criminoso obter vantagens com a venda dos animais.DesordeiroMacaco-prego é também chamado de “capuchinho”, pela semelhança de sua pelagem com o capuz dos monges. É um animal muito hábil, que consegue abrir frutas de casca dura. Para essa atividade ele usa pedras e pedaços de pau.O macaco-prego é facilmente ensinado. Adapta-se ao cativeiro, mas como é muito ativo, freqüentemente cria problemas. O macaco-prego é um animal irrequieto e barulhento, merecedor também dos adjetivos desordeiro e despudorado. A sua cabeça, encimada por uma densa pelagem negra ou marrom-escura, semelhante a um gorro, torna seu aspecto inconfundível. Nas matas e florestas da América do Sul, vive em bandos, cujo território pode invadir o de outros macacos. Passa a maior parte do tempo nas árvores, onde dorme e também consegue alimento.SAIBA MAISBandoNas matas e florestas da América do Sul, o macaco-prego vive em bandos. O animal passa a maior parte do tempo nas árvores, onde dorme e consegue alimento. Só desce para beber água ou atacar plantações na orla da floresta. O bando de macacos desloca-se continuamente, pulando de galho em galho. A cauda dele não é preênsil. Ele identifica os companheiros pelo cheiro, mas também usa outros sentidos.ExtinçãoApesar de ser o macaco mais comum nas matas do país, uma de suas subespécies encontra-se seriamente ameaçada de extinção. Trata-se do macaco-prego-do-peito-amarelo, que se distingue das demais subespécies pela coloração amarelada do peito e da parte anterior dos braços.
quinta-feira, 13 de março de 2008
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